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Dom, Maio

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(21 de maio de 2015)

Do outono do crisântemo

Ao inverno farto das rosas

Festejo a cereja.

 

Lentamente olho

lado escuro da alma

sob véu da sombra pura.

 

Só a álgebra do tempo

resolve o passado

e questiona o futuro.

 

Mesmo o velho apocalipse

parece metafísico

mas resolve a alma como gozo.

 

(Ou apocalipse é pouco?).

 

À esquerda da amendoeira

sol se lança

sobre cerejas.

 

 

 

 

 

A leste da tarde

murmura a oliveira

(a haste do alecrim mora).

 

Da fresta da nuvem

nasce a lua

pêndulo do céu.

 

O fim da noite é a manhã

e o amanhã o fim de hoje:

eis o dia a dia da vida.

 

(Até o apogeu da morte

esse sol de lágrima

essa luz tão cega: gume e auge).

 

O estrídulo da  cigarra

parece lixa ou música

de casca de árvore.

 

A oriente do céu

lua grávida

do sol ocidental.

 

Tanto cacto

quanto cardo

coroam a caatinga.

 

Pare lua cheia

Deus extático e esteta grávido

para apreço dos olhos.

 

Mastigo um alface enquanto

moscas copulam

no meu prato.

 

Monótono tom de átimo

tênue unitom de elétrons

monitoro no poema.

 

À sombra do canavial

pela avenida dos pendões

até a coivara atrás da fagulha.

 

Dos três lírios

do campo da vista o aroma

vivo afeta a narina e o uivo.

 

As facas da chuva

assaltam-me o rosto

com golpes de gotas.

 

Pés de águas

nuvens de chuva despejadas da bacia

do céu se alastram pelo solo como rastilho de pólvora.

{jcomments on}

Murilo Gun

 
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