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Dom, Maio

destaques
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Escrevi esses poemas extremos porque vi o extremo numa

viagem a bordo do abismo para o confim de mim mesmo. Fui além

da alma, depois do corpo, quando os comecei. Não evitei os tiques

estilísticos próprios de minha lavra poética nem a mania de montar

sintagmas oximóricos, insensatos (para os sentidos comuns), esdrúxulos,

não recomendáveis, para quem escreve em benefício do

leitor, o que não é meu caso, absolutamente.

Escrevo poema para total desconforto do leitor (que se

dane se quiser entender).

Se o poeta entrega de mão beijada, numa bandeja dourada,

o tal sentido do poema (tão ou mais procurado do que um malfeitor

do velho oeste ianque), tão esperado que desespera o leitor,

quando este não lhe é dado, de imediato, na primeira linha ou

golpe de leitura; caso seja assim, assado não é, e poesia não o é

também. O poema não deve ser uma resposta, uma lição, mas um

questionamento, uma interrogação. Nada de resultados prosaicos,

mas investimento literário.

Escrevo poemas, portanto, para o desconforto extremo de

quem casualmente me leia. Se fosse uma reforma de um prédio, a

placa séria seria: desculpe o transtorno da leitura, estamos trabalhando

para desconforto total do seu entendimento.

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Murilo Gun

 
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