09
Dom, Maio

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Se meu lirismo é rasurado gótico, escatológico, metabólico, saturado, blasfemo, inútil, antilírico, catabasista e cia e o ímpeto verbal descomedido, ilimitado

(quando tudo hoje deve ser reduzido, adequado, domesticado), no cartório das musas não tenho culpa. Porque não nefelabato, não me matem do venenoso cânone rachurado de rimas belas (que detesto).

            Se transgrido o bom e claro poetar desde Título provisório, se Burocracial é apoético, nos temas e termos vigentes me condenem, não me importo (pelo contrátio expoeto minha doce e árdua ironia).

            Paraneses: quando pus poema o sintagma “praça pública, (sobre uma febril morena imaginária (?), a revisão da gráfica e novamente alguém viu a falta do “L” (praça é pública, nunca pública), e tascou à praça pública de pentelhos e não de selva da morena (seu gramado). Praça tem que ser pública? Não concordei, e numa terceira coletânea avisei na gráfica... e saiu praça pública.

            O mesmo aconteceu com o título DURA HABIUDADE DO HERÓI. O intervalo branco (parte do significante do poema segundo Barthez, Mallarmé, Valéry), entre dura habilidade era mínimo (para soar como durabilidade), pois o poema começava: “O herói dura o tempo da queda”.

            Não teve jeito: por duas ou três vezes publicado saia sempre dura habilidade do herói (intervalos brancos iguais). E mais.

            Mas, voltando a VCA: ele redesconstroi, com parcimônia e com segurança a poesia. Tipo construção avessa. Ou como disseo o Prof. e crítico literário Bezerra de Lemos: VCA desavessa poética sólida d’hoje. Avessada (VCA), com sua obstrução metódica, desfamiliarizão completa, que atordoa qualquer leitora. E assombra ou pasma os que ele chama de (mau)ditos poetas d’agora (e sempre).

            É realmente do reino labial ou silábico seu poema.

            Causa disforias VCA (lê-lo).

            Por isso o inconsendo em torno (por fora e adentro) de sua poesia (?). puro desconforto. Geradora de mútuo desentendimento leitoral.

            Pior: ler VCA causa AVC (pondera Rogério Generoso). E assim o poeta VCA não é eleito para leitura, pois os leitores fogem dele com diabo de cruz, eunuco de fêmea. Poeta detestado por leitor, que diz: coisa difícil isso para ler precisa dicionário!

Murilo Gun

 
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