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Dom, Jun

destaques
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Meditar sobre crueza do aço

sobre férrea beleza do ouro

sobre cones transcendentais

  deita o prumo da atenção

vitríolo da vida exibir em procissão púbica

resto de crepúsculo

 torso mutilado de primavera

tristeza geométrica

 dor algemada a noites

e luzes famintas oferecer  aos olhos

imersos em ondas alfas sulfúricas

  

meditar com hóstias de água sublevada

lembra calabouços (ou sacristias)

  como cesta profana

habitas pios lábios

meditar sobre o rosto de Deus

incita a fantasia

 (e o futuro).

  

Com pressa séquito segue

até o desenlace, até a dissolução ansiosa

 

cobra pelas picadas da cidade espalha

veneno devoto, doença social sinuosa

  

e prossegue

 até o corte

  até a morte

 até o disforme

e avança      até que volte

ao labirinto natal

  caos inicial

  

(o séquito morre, cessa

À beira do céu).

  

 Esta crua meditação

 oferto ao tigre e ao cordeiro

 do poema anterior

 e a leitores desleais

 

(À primeira leitora dessa

  manhã feia de agosto)

  

De quando vieram as quimeras?

E os surdos decretos da ilusão

quem levianamente os promulgou?

(Assim o coração com alegria sancionou

A desilusão).

  

O que moveu os fardos de ira

(contêineres e fortalezas de cólera)

para o interior do coração

– hangar de sangue e músculo

que os recebeu e armazenou no litígio.

 

(De que nos servem fantasia desatada

  e crenças cruas da vida?)

 

 

Murilo Gun

 
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