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Sáb, Set

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Hoje estou só sem vírgulas ou palavra súdita

Estou acamado nas nuvens mucamas do poeta

Nefelibatando infelizmente prenhe de imagens úmidas

À superfície da lua me ato ao rosto do amor –

À beira mar de Vênus curvo-me

Ao som de grandes cubos degradados

No interior de grades tresmalhado

Os arames da selva corroem-me o início de mim

Panteras rondam-me o abdome raro

O peito franco e caminhos levam a albatrozes franceses

A jângal de alumínio e pólvora, a feéricas feras leva-me

A poesia inútil necessidade de ser-me

Além, muito além, dos meios, dos caminhos, das sedes

Vogo vago ignavo signo avitimado e surdo à palavra

Nada surge no meu auge fúlgido alforje nada

Me lembra a não-náusea de teu corpo arte

Que Sartre em Simone bela bebeu,

À beira do lago augusto arrostam-me

A libidinosas e abúlicas correntezas

(o imaginário é oriente fértil como as metafísicas do acaso)

Uno-me ao fôlego lisboense das sereias

Meu ar ávido divido com épuras e coivaras da vida

Ou inertes corações de cedro dinamarquês ergo

Às canadenses miragens do meu velho empório de sonho

Que alto professor de poesia alicerçou de palavra

Mestre que sondou meus demônios

Decifrou escuros urdiu simulacros

Coabitou suicídios.

Murilo Gun

 
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