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Sáb, Set

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Osani Severina/ FAMASUL/Letras

Quando se fala em poesia, logo sem vem à mente o uso de metáforas, as melhores palavras na melhor ordem que encantam os nossos corações, ou melhor, para quem desconhece o real sentido da poesia, pode até dizer que para tal automatismo do pensamento, é necessária a rima.

Porém, a verdadeira essência poética é aquela que possibilita ao leitor uma maior proximidade do poder de recriação da palavra fugindo do automatismo palavrético, ou seja, aquilo que costumeiramente escrevemos com maior cautela, escolhas de palavras advindas de um pensamento arquitetado em regras, estilos e até a intenção compreensiva e interpretativa, foge do conceito de poesia absoluta (PA).

A PA designa e se traduz em algo esplêndido, inesperado, que permite certo choque à inteligência humana, que se depara com algo jamais visto sentido e ouvido. É a essência da luz com o seu maior e inusitado brilho que nos cega até o ponto de voltarmos para o nosso eu, conhecer e reconhecer a nossa mente nua e crua dentro de um campo de significâncias e não de significados. É ir ao encontro do novo, eterno e incompreensível, em que um leitor de mais alto nível intelectual possa se sentir insuficiente para tal compreensão de atividade poética, se é que existe esse termo na poesia ou erroneamente para quem não sabe o que é ainda a verdadeira poesia absoluta.

A poesia absoluta afugenta dentro de um campo de significados para um campo que independe dos sentimentos e emoções, ou melhor, o mundo de significâncias. Ela representa a complexidade do poeta em não ser entendido e muito menos compreendido. Quando assim o oposto ocorre, a poesia revela a derrota do escritor poético, pois, uma vez compreendido, o encanto acaba, a poesia se desfaz.

Para tal descrição poética absoluta, faz-se necessário compreender que as características pertinentes à prosa se encontrem distanciado da poesia absoluta, ou melhor, a mesma não pode assumir tais características que transcorre a um campo significativo de entendimento e clareza; ou até mesmo munida de informações inerentes à mente humana.

Em um poema de teor absoluto ou em outros, para quem entende todas as artimanhas de uma composição poética, se mostra inegável que a brusca exposição de uma determinada mensagem acionada em um poema, tende a atrofiar até mesmo o que não se tem em termos de conceitos poéticos absolutos. Pois, a verdadeira poesia, não está na mensagem, mas na forma da mensagem, ela é feita de significância e não significado, para o significado existe a prosa. A poesia não deve girar em torno do eu, mas o eu girar em torno da poesia. A mesma deve tornar o leitor incapaz de compreendê-la e em meio à incompreensão, desabrocha o encantamento, uma vez que algo inesperado nos surpreende sem um começo e nem um fim, a nossa mente desperta para algo novo que se eterniza, por apresentar uma sincronia incompreensiva. É como diz Albert Einstein: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original.”

Estudar poesia absoluta é antes de tudo proporcionar ao cérebro uma desenvoltura com voracidade jamais presenciada. Cada vez que um poema absoluto se rebela e se contrapõe a outro costumeiramente portador de uma mensagem esperada, mas o mundo cresce introspectivamente, pois, passamos a lidar com novos conceitos e novas ideias que somente os que se deixam debruçar têm a oportunidade de transformar e construir um mundo melhor dentro do campo literário, afugentando-se dos sentimentos que encontramos em alguns poemas circulados no dia-a-dia no âmbito escolar.

Espero ter contribuído ao que se refere à poesia absoluta e até mais ver!Abraços aos meus incentivadores intelectuais: Admmauro Gommes e Vital Corrêa de Araújo.

 

Murilo Gun

 
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