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Ter, Out

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Vital Corrêa de Araújo

Ao considerarmos as coisas, os acontecimentos (objetivos e pessoais, externos e íntimos) como naturais (o mundo é assim mesmo, isso tinha de acontecer, entregue a Deus),

estamos sendo fatalistas, servos do destino, alienados, produtos do acaso ou da atitude de outros (que dominam, via PIB). Procedemos de modo automático (seguindo “a opinião pública”, a “classe média pensante”, os políticos empresários etc). Isso é aquilo. E pronto. E só. Não adianta reagir. (A reação veio com Mayara e cia). A visão automática do mundo imobiliza e é o inverso de uma verdadeira concepção do mundo. Tal como a tínhamos entre 1945 e 1964 (e que a apedrejaram, apelidando-a de comunismo). A que vigorou pós-64 foi  uma concepção confusa, reativa, imposta pelas armas e métodos anti-humanos de imposição, imóvel, parcial da realidade. Após 21 anos do regime do “medo de pensar”, a confusão ideológica alcançou as raias da perplexidade.

Acabou o regime militar. A crise econômica é grave. Inflação de 150%, desemprego, atraso, analfabetismo funcional como nunca se viu, todo um povo que desaprendeu a pensar. E voltar ao pensamento, após 28 anos (golpe, Sarney e Collor) é obra titânica. Leva mais 20 anos. Assim, o coitado do brasileiro não conseguiu instituir, compor uma (nova e prima) visão do mundo, da vida, da sociedade. A que existia até 64 esfumou-se e os visionários (a maioria) morreram.

No estado (das coisas) atual, só a arte redescobre, retira o véu da realidade, contribui para desarmar, desmontar a visão automatizada, reacionária, atrasada da realidade.

A teia espessa, a trama estabelecida, o véu de alienação do brasileiro e duradouro é profundo e desalentador. Desvelá-lo é função e papel da literatura, em especial, da Poesia Absoluta, como profilaxia e terapêutica ideológica associada às lutas políticas agora iniciadas.

 

Murilo Gun

 
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