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Sáb, Nov

destaques
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Maculadamente limpo

(cheio de mácula desconsagrada)

pleno de ovelhas de estrelas é o poema vital

antimecânico par excellence

não gregário, noturno

incompreensível (por natureza e definição)

meio absurdo, capaz de abominação

passível de axiomatizar-se de súbito

sem freios que o definhem

espalhafatoso e vermelho

impiedoso com leitor e inescrutável

é o poema vital (que sempre será).

 

A Vital e sua poesia desautomática

amecânica (embora anêmica e transitiva)

ambiambígua, detratável

dolicoféfala e iconoclasta crua

desacatante, desfibrada, invulnerável

(antipoética e transgeométrica)

indesencandecente, desarvorada e sem voragem

tão ...   adjetiva  ...    não leio.

 

A não ser num pub íntimo

da rua da Glória (472) numa tarde

no bafurinho de um happy-hour

(com dose de single uísque e cerveja pálida)

o papo bêbado como o barco de Rimbaud

em torno cercado do nada da vida

da non-existence radical (meio que solipsista)

cruamente como um trago de vida.

Murilo Gun

 
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