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Qui, Jan

destaques
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Era 1945, num final de tarde quando

João Sibelius ateou

um fogo grego e faminto

sobre suas pobres partituras

de tão ricas músicas escandeadas

 

chamas consumiam manuscritos

com voracidade indelével

 

sobraram somente da gula do fogo

músicos restos e cinzas

da oitava sinfonia do gênio

e incendiário Sibelius

finlandês etéreo.

 

Com as próprias mãos

que modelaram tantas canções

Sibelius incinerou o  som

 

os compassos chiaram

dentre as chamas do silêncio

 

                       a João Brahms

                       a João Marques

 

NOTA POETA: alguns compassos recuperados

                         dão uma ideia do que seria

                         a oitava sinfonia

                         os acordes dessa obra de gênio

                         que captura o infinito num bemol.

 

As chamas se altearam, ficaram

as cinzas sólidas da partitura

sons apenas esbraseados

 

                               o incêndio

da oitava sinfonia Sibelius

 

 incinerou algo das oiças do mundo.

 

As chamas eram vivas, intensas

quase musicais.

Murilo Gun

 
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