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Qui, Jan

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Aranhas capinam na teia

corpo, entranha, avulsa presa

que na cela do anímico tecido

se esgueira.

Asperge vínculos de saliva

fios curva sobre seios

indefesos da sedosa vítima.

 

Vítimas que no cárcere de lá estrilam

(pegajosa masmorra translúcida, renda gótica astuta)

contra laços de aço que as vitimam.

 

Aranha solene imola selos

arregimenta pelos e enlaces

cospe ávida fiação que rearranja

em concêntricos elos cristalinos

tocaia trêmulos disfarces

semeia adeuses tenazes

 

frágeis sigilos elabora

em sua convulsa arquitetura

(que no silêncio flutua

aéreo labirinto

ou suspensa colmeia, mortalha poliédrica).

 

Com tênues geometrias tenta

intestinas conquistas.

 

Em seus fusos conta

etérea história do mundo

aranha

            celeuma de teia e chama

 

Atena tecelã centrípeta

deposita topázios exatos

no véu iluso da vida.

 

Em louvor à lua aranhas

depõem ovos na rua

pérolas úmidas de olhar vândalo

alumínio lança composição salívica

entre metais e semanas seminais

até que linho mortal coagule-se

ou macule caleidoscópios semestrais.

 

Que finas filosofias torvos sofismas

que sorvos de frios argumentos

salivam aranhas (do púlpito da mucosa)

com teses, fios, fusos

e lentas metafísicas?

E pinças retóricas brandem

contra prolegômenos exangues?

 

Tramas do abdome argumento das aranhas

que violentas e precisas amparam suas presas

com mandíbulas e lentas quelíceras

e desvelos de saliva japonesa

e dentes sisos abertos em copas

a par de suas úmidas vitórias.

 

 

 

Murilo Gun

 
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