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Qui, Jan

destaques
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Sopro de Zéfiro rumor de sal aplaca acende

lumes dos cabelos expulsando serpentes.

Zênite do sal inibe ciladas da sombra.

Proteu disforme pela ágil fadiga recolhe

da forma em devir o elemento ávido busca

ocos de pedra onde dormir

                           assumindo a forma do sono

                           herdada de Morfeu insone.

 

Titubeantes manadas de assustadas focas fogem

das espumas (semeadas por golfos saturninos)

e mandíbulas do mar antigo

                           abrigo do cetáceo perigo

exalando desaflito gesto de conforto longe dos fundos

das suas rápidas feras sob proteção da relva.

 

Coisas ocultas de Delos mistérios que Elêusis proclama

quimeras com que se presenteiam ocidentais

tudo se revela ao filósofo que liga

                              (chumbe, cubra, aflore, amalgame)

sua alma à palavra como o poeta.

 

Eloquência questão de cozinha (copa e espeto)

culinária alta filosofia previu Platão

bebendo da ceia de Sócrates sábios cálices.

 

Ao sedento serão o reino da palavra

e o desamparo da terra árida concedidos.

E tudo termina antes do ômega do grito

a dor e o riso numa quarta-feira de cinzas.

 

Do cone da sombra aurora dedirrósea avulta

emerge luz primeva a lançar-se como demônio

sonoro e claro sobre os olhos dos homens.

 

Ninfa má os toma sobre eles despeja

(esverdeando o sono) podre gordura de foca

Ritual perverso e mortífero

Incutindo a suas peles (sem alma) mortal odor.

 

Intervém boa ninfa chega polvilha

líquido espesso cordial prateado

ágil mercúrio sobre noturno aroma

corpos envenenados quase cadáveres lacônicos

rastejam e se erguem bandeiras de vento.

 

A ambrosia, o unguento dos deuses derramados

deslizam-se, enramam-se sobre dorsos

e ventres como falo aquático

penetram bocas e narizes agonizantes

salvam céus ínferos e suores altos.

 

 Doze aromas operam gregos milagres

(feitos homéricos) sobre a narina dos homens.

De seus olhares metálicos linces perfeitos saltam.

  

O dor nauseabundo nos abandonou

Menelau urra

                      o leme capitâneo em sua mão rija

a ouvir o perfume revestir mucosas noturnas.

 

Das bacias do inconsciente

dilúvio das irrazões comungadas

sob riste imaginário embriaga-se

arca de medo enche com vozes de Ifigênia

aplacando ventos trácios, o cajado

de Agamenon reboando no Olimpo.

 

Murilo Gun

 
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