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Qua, Jun

destaques
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(poemas inobjetivos de sentidos foragidos)

Da coletânea em formação A rigor

A poesia absoluta é uma religião

a poesia salva a alma

o Deus do soneto absoluto

é Paulo Bandeira da Cruz.

 

A noite exacra vagalumes e ilesas sapas

escura seiva se apavora da madrugada

que mendiga réstia de lua vã que ladra.

 

Selo da vigília de lata e pluma prega

e olhos cardíacos e sonhos desfeitos ou murchos.

 

Rastros de água rio deixa

em seu solo mais íntimo leito

do áquo instinto fluido corrente

de metálico curso ao mar fundo.

 

Águas e almas comungadas

aos domingos, branca leve aliança.

 

À sombra de espelhos e mandíbulas de mulher.

 

Pó de rosas da noite alemã cremada

que alegres madressilvas do abismo

adormecem ou reintegram.

 

Límpido olor a queimados

mãos de barro trincadas

crianças vocálicas

do éden solerte pronunciadas.

 

Encurrale o tempo

na vala do trânsito

imobilize o fluxo, coagule a hora

e se salve do orvalho

não da idade.

 

Cárcer para mártir vendo

com cilício e cascalho

com desconto e saudade.

 

Olho o outro de frente

defronta-me (eu e outro eu)

 e eu sou o outro, ou o mesmo sonho.

 

Prólogo prolegomenal preparo.

 

Forneço caos em lata a preços belíssimos

Entrega a domicílio. Aproveite, pois caos no varejo

é quase impossível achar no mundo. Menos no Brasil.

 

E vivo a abalroar a rua

mecânica ou estéril

sem lua e namorados

viela de violência avenida e laia.

 

Não sobreviveu sequer um paraíso.

Dos édens e paradisíacos jardins do início

restam insustentáveis ruínas.

 

Velhas espadas abandonadas

de gume ferruginoso e árduo já meio roto

espelhos sem reflexões sutis, meio que cegos

ecos de cactos vítreos coagulados

cacos de ázimas imagens espalhados

lúcidos labirintos (tortuosos ou razoáveis) ao leu

ornados com estribilho de sombra taurina

dos corredores loucos estendido.

 

Tudo sob lateral lua e noite urgente.

Ou aguda.

 

Das ruínas dos passos pés inchados

da edipiana estrada

a vasta encruzilhada.

 

Murilo Gun

 
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