08
Seg, Ago

destaques
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Latada de cidreira e o abraço da malva rumorosa

gerúndios de mostarda e batalhões

de camomila de guarda

na entrada do coqueiral à esquerda do riacho pendurado

à beira do precipício branco.

Ao longo das entranhas do vesúvio de acácias

alfarrábios de lírios e tulhas (argilosas)

de erva doce entre redondilhas de rosa

flores abençoadas por gestos de baunilha

se juntavam ao mais doce ainda zumbir de abelhas sem mácula.

Néctares voando, pólens bailando, o riso do jasmim

se espalhando pelos corações dos jardins vazios

concatenados o brilho dançante da pétala

e o verde do cálice da flor

tudo se une a anunciar a manhã

que rebenta do solo ubertoso das Vertentes.

É a aurora que desponta

pressurosa e ridente

(dos olhos alvissareiros das estrelas)

digital e airosa do rosto de Vertentes

terra da palavra do coração

ágil seiva e lume vital

corça e berço

sonho de nume, garça sem sombra

silêncio que fulge

aurora cujo aroma brota

do ar montanhoso, cuja cor

é a mesma da respiração dos pássaros.

Vertentes, sítio onde a lua vem dormir

terra que contenha o último átimo do tempo.

Herdei do meu avô sonhos de cetim em maio

palavras de amor, o suor da dor

e vândalos papeis da alma espalhados

além de potes de tristezas coaguladas

e sonetos em que ele assinalava

cada 20 de maio, data da morte de minha vó

aos 15 anos, exatamente o dia do nascimento

de meu pai Cláudio Corrêa de Araújo.

Murilo Gun

 
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