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Sáb, Jun

destaques
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A experiência da poesia é o modo dela infletir-se

sobre nós e abonar a alma exprimindo

suas máculas ardentes e profusas submersas

no tempo cósmico – e cíclico que tramou Borges

horas prenhes da duração do evento ou parto

que nos deu Sócrates e Absalão

Pound, Eliot, Cabral, Murilo e Drummond

ou seja, servos da produção ou parturição

do poema no sentido da maiêutica crítica.

 

A melhor forma de definir ou conceituar

– expressar – isso (ou aquilo), ou maneira

Intensiva e absoluta de fazê-lo

é por meio ou pela veia aorta da poesia (porta)

– linfa ou fluxo, vaso ou vinho – que é

a linguagem (ou instância desta) impregnada

(dir-se-ia fosse carro de corrida: envenenada)

com carga máxima de voltagem  expressiva força polindica

ou curva de maior conotação possível.

 

Dê a palavra a exata – imprescindível

ração de ambigüidade, indetermine

com (des)propósitos poéticos o sentido

exija suor do leitor a enfrentar intrincado

lodaçal dela (palavra) atolada no poema: e louve-se.

(a si mesmo pela espessura doce de seu canto).

Murilo Gun

 
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