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Sáb, Jun

destaques
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Trêmulo orvalho do lábio macule
carmim do amor, ascenda
(como seiva violada)
a olhos calados o rio da palavra


(pelo queixo escorra)
em confronto à lágrima que desça 
ou luz que rasteje no rosto fluindo
dos vãos da manhã errante
e nos prados do peito ancore
(como navio cego perdido na noite pássaro)
coro de sombra, canção salobra.

Nave da arca submersa busque
abrigo no calor que supra o sangue.

Dos fios enevoados do olhar
se levante o sol sem pálpebra.

Das partituras do sal, do cio amontoado no grito
o silêncio erga seu morto clamor.

(Sei que te teus olhos brotam
infiel leitora
manhãs indomáveis
inadiáveis clareiras
em ti cantem).

 

Murilo Gun

 
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