15
Sáb, Jun

destaques
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

                                         VCA

 A obra de arte literária, vista como uma estrutura, não impõe uma montagem mecânica de determinados elementos previsíveis, de cuja síntese emirja o produto acabado: a obra.

Tal proceder corresponderia a uma atitude, repito, mecânica e a um comportamento metafísico, isto é, não dialético. Decorre de um interrelacionamento intrincado dos vários componentes, vertentes e elementos que compõem a obra, formando uma estrutura dinâmica – nada estática, mas estética. A unidade (dialética) dá o ritmo.

Tynianov diz que a forma da obra literária deva ser sólida como algo dinâmico e nunca estático. O que o poeta compõe não é feito para significar (somente) uma determinada coisa mas para ser a própria coisa. Não só copiar mas recriar o original. Para ser mais original ainda. E novo.

Glorifica-me como poeta ser copiado e aditado. Um poema de dor não seria sinal de dor mas a própria dor transformada em palavra.

O poeta pinta (verbalmente) um retrato, não para que signifique, mas para que seja a pessoa. E nele, no poema-pintura, retrata-se a pessoa, seu presente, passado e futuro (do rosto, inclusive, tal que P. Picasso fez com G. Stein).

O que abranda a perfeição não é imperfeito, em poesia, porém mais que perfeito. .

Murilo Gun

 
Advertisement

REVISTAS E JORNAIS