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Sáb, Jun

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Anárquico Narciso acorda

Do sono especulativo!

Não beba com os olhos

As águas narcóticas do eco que multiplica

A imagem nas linhas da diversidade cíclica

Em círculos crescentes concêntricos

A dissolver sonhos e olhares

Como metais de pesadelos

 

Narciso entorpece a extensão de si

Embota o duplo em outro singular perfeito

Mergulha com seus deuses hipnóticos e fundos

E o fragmentos de Eco não o traz à tona

 

O rosto repete-se escoa e se quebra

No pranto da ninfa por Narciso morto

Afogado no fluxo de seus próprios ou falsos reflexos.

 

Narciso não conhece a própria alma

Apenas se apaixona por miragens náufragas

Vindas do corpo de um espelho áquo

 

Narciso se torna no que (se) contempla

Numa imagem de si ou do outro mesmo

 

Narciso esteve fora (e dentro) de si e de outrem: o mesmo”.

 

(Recife, 14 de fevereiro de 2002 – Vital Corrêa de Araújo)

Murilo Gun

 
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