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             “Escrever versos não é necessariamente escrever poemas”: dispara o poeta e filósofo Antonio Cícero, em Poesia e Filosofia. E segue: poesia não é antônimo de prosa. O contrário de poesia é não poesia. A palavra verso é que é antônimo de prosa. Pois verso é o contrário de prosa.

            A prosa vai em frente. O verso retorna para recomeçar... e não vai adiante. Para e volta. A prosa segue soberana até o ponto final do discurso.

            E, de certo modo cruel e sábio, decisivo e impiedoso, Antonio Cícero perora:

“De fato, qualquer coisa pode ser escrita em versos; qualquer um pode aprender a escrever versos; mas não chamamos de “poema” qualquer texto escrito em versos, nem de “poeta” qualquer um que tenha aprendido a escrever versos. Uma pessoa que tenha simplesmente posto em versos um código de trânsito, por exemplo, não terá necessariamente transformado o código em poema, nem ter-se-à desse modo tornado um poeta”. Posiciona-se o autor Antonio Cícero. E, impiedoso, completa: “Embora, no século III a.C, Aristóteles tenha denunciado a confusão entre poema e sequência de versos, ainda hoje (agora, aqui) muita gente ainda (e muito bem) confunde”.

Murilo Gun

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