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Qua, Jun

destaques
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Pelos castelos senhoras do limbo da Urbe vaguei

pelo segundo círculo da alma fugí

sanguíneo relâmpago clareiras do sangue lambeu

(as lesmas pétreas do fogo devotadas)

reluziram as trevas do espírito

pelos alfanjes da carne excitadas

o éter nu perambulou

pelas hiperbóreas narinas do Senhor

saio do fundo sono respiro o sôfrego

olho a mente estupefacta, o sentido enlouquecido

que através do verbo de mim se apossam

meadas intransitivas, fios de hiatos, hialinos lábios

de vasto vocábulo, néctar escuro escravocrata

golfo de âmago, geografias feridas me urdem

 

Campos de dores adentrei (?). Hospício de luz

manicômio do tempo, o que fiz? Sou vasilha

vaso de infinito acato com mácula e alínea

ou parágrafo que o poema redima. Sou odre

pleno da sede da passagem?

convulsa palavra arredonda a dor

eterna e alumínia que consome o poeta e leitor

estrépito do pranto que inunda ou inundia o canto

crótato de lamentações (à Laforgue ou Eliot)

lança-se do céu às cinzas do homem

escura e profana nabulosa varre

os sentidos já estabelecidos, a priori estampados

no espírito envergonhado (e sóbrio) da palavra

as normas do ser poema impestáveis

 

têm tênebras brancas, cortes de arturs pequenos

por isso basta à poesia que volte

à tona dessa náusea cotidiana e quebra

o estabelecimento falido da vérsica

que nos domina e doma a pena, restabeleça

o reino da palavra não ditada

pelos ditadoriais dicionários (de rimas lodo

e resmas de lesmas fônicas adquados a lado)

que pouse em ti leitora varonil

e pastora do verbo a vida filológico

não mais por um fio

(de Ariadnes ou aranhas esquecidas).

 

Ao entrar no infinito sentido feche

os olhos vivos que sem escrúpulos só veem

(o próprio escrúpulo), o dito preocupado

o índigo estampado no amarelo da alma

e vá ao além buscar o rosto do verme

beba em golfos sangues de fogo

 

e assim não escureçam menos os olhos

e mais o espírito (de claridade ferido).

 

Não tenha mais comiseração do pio

vença toda a inercia do ser

(essa força bursátil que nos amesquinha tanto)

Chague tudo que seja imóvel ou alheio humano

tudo o que não o aclarece do espesso

(pois escura é a superfície inútil da alma)

 

que é o ar vivo, ápeiron, nous, espírito

a vida ávida de insensação nova

o liame rude e falso de cada sentido abra

exponha a ridículo significados alvos

o halo da sílaba, o hiato vivo louve

veja seu imo caliginoso com olhos novos

o oco coração do homem avive novamente

sua lassa alma de palha ocalize

lenho vital e uivo dissimule numdissílabo.

 

 

 

Murilo Gun

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