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Para imenso ímpar Lezama Lima poesia

é um caracol noturno num retângulo de água.

Para Afrânio Peixoto, sorriso da sociedade.

O corpulento, grave, alado do poeta cubano

discípulo da escola solar caribenha

amante de esfinges embriagadas e músculos da palavra

embebedava-se de quimeras, bebia lótus e saúvas 

toda a ambrosia em longos goles deuses

derramaram sobre ele.

 

No calendário de cimento nome uiva poesia

nome de Lezama que traz

relógio de areia do olhar esquecido

no peito central e árduo.

 

Matilha de vagalumes e de brilhos furiosos

encantam-se em sua poesia

além de ampolas de jasmim.

 

Lezama entendia de laranjas cósmicas

e crateras de auroras

entendia Lezama de luz canteiro de orquídeas azuis.

 

Murilo Gun

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