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Qui, Jul

destaques
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Enterrem meus olhos longe das ciladas do tempo

Perto das estrelas, entre esferas e mosaicos do céu

Ou na cerâmica do horizonte, além das gaivotas.

Que eles não ouçam rumor a vermes

Nem úmeros deteriorados ou meu coração

A devorá-lo eternidade de gusanos

E meus inúmeros neurônios dissolvendo-se

Poça putrefata, ásperas secreções em debandada

(estirando-se pela caixa craniana como rio escuro)

O crânio empapado, silêncio absoluto

Ecoando nas frias fímbrias do meu cadáver

(a voz de algum verme deglutida pelo silêncio insuperável).

Enterrem meus olhos lá no Olimpo

Entre harpias e quimeras

Perto do lado mais alto

Longe da náusea terrena

Nos planaltos que vivem além do poente

Nas montanhas entrincheiradas no infinito

Enterrem meus olhos perto das estrelas

Longe do tempo, da sarjeta das horas e deixem

Meu coração arruinar-se

No banquete escatológico

As vísceras na cova abandonadas

Entregues à sanha dos carnívoros sais da terra.

Enterrem meus olhos no amanhecer.

 

Murilo Gun

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