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Qui, Jul

destaques
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            A geração 45, movimento que até hoje submete a poesia brasileira ao atraso, representou a abertura de um novo round, após a luta, o prélio de 1922 (Semana da Arte Moderna) estar encerrado. Foi uma reação tardia (um terceiro tempo inédito) dos remanescentes do parnasianismo derrotado.

            Tais como Bilac, morto (?) em 1918 se revolvia no formoso túmulo, Alberto de Oliveira só faleceu em 1937, exatamente um ano antes de Murilo Mendes levar à estampa Poesia em Pânico, livro vital à expansão e consolidação da modernidade poética no Brasil.

            1945 não representou uma superação de 1922/1930, mas uma negação. Um recuo, um grande e extenso retrocesso (quando deveria ter se seguido o ‘’processo’’ de avanço na nossa poética).

            Eram antiquados defensores do lavor ou arte-sanalidade do poema, que confundiam forma com fôrma, que em bom português tem o sentido de molde, quer dizer algo perfeito e acabado, algo quantitativo, mensurado, medido, cuspido. O paradigma da fôrma (ou forma parnasiana) era o soneto, objeto do culto bilaqueano, desde Raimundo Corrêa, com As pombas. O poema perfeito, com o remate da clave de ouro, enriquecido de rimas obrigatórias (necessárias). A perfeição lavorada com métrica perícia, o decorum, a obediência a legislações rígidas e velhas, para submissão da poesia aos moldes parnasianos: eis   o futuro, que se nos afigurava.  Haroldo de Campos diz: ‘’Essa noção redutora dos aspectos formais da composição poética levou os poetas de 45 a assumirem uma postura de reação conservadora diante do avanço da vanguarda modernista’’ (1922/1930). O que lhes valeu o apodo de neoparnasianismo, dada por  Antonio Candido.

            Oswald de Andrade, mordaz que só, diz: ‘’Não é preciso inventar a máquina de fazer versos, porque já existe o poeta parnasiano’’.

           O retorno triunfante do soneto, e a consequente proliferação desmedida, cancerosa, sonetística, Brasil afora, causa pasmo e medo.

A recuperação dessa forma fixa emblemática  reparadignou a poesia e até hoje vigora. Se não for soneto, não é poesia: é o que pensa a vasta e ignara massa brasileira (VCA).

 

Murilo Gun

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