29
Qua, Jun

destaques
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Poema escrito com a pena da eternidade.

Pois, o lápis comum é fútil, é inútil.

Que o poema traia

buscas, túmulos, verdades raras

hinos, lumes cinzas, seivas, hiatos de estrelas

enigmas duradouros, esquifes sem fé, cópias

de Deus copioso.

 

Escrever poesia absoluta é como escrever

sobre páginas de ondas

sinuosas adeptas do vento (filhas de Éolo)

um livro líquido por atacado de metáforas

molhadas como orvalho (e duvidosa como a vida).

 

E nele músicas de água (nada impoluta)

eco alto de trovoada pura

cães assustados e notas à terceira margem.

 

A começar entrevero com leitor obstinado.

 

 

Escrever o nome na água é inverno

é pular no sólido que se desmancha à pele

escorregadia, macia e duradoura da água

é sentir em si a eternidade líquida.

 

Na água é como Shelley escreveu

afogado de metáforas (no livro ou golfo

de Spezia um dia).

E Caronte certeiro levou para si

(oceano noturno) o desmonetarizado poeta.

Seu coração ígneo Keats cultivou

de fogo palpitando à sombra da palavra.

 

II

 

De margens rumorosas, ribeiros lentos

e mares sem ventre vive a poesia.

 

III

 

De ânimos e cátodos

de dissociações associadas

vive o núcleo da palavra que partículas do verbo dinamizam

até que irrompa do poema absoluto

a página.

 

O que convém a iluminação da palavra?

O elétron do verbo faz a luz?

 

Trêmulos cosmos arrostas, poeta.

Com teu verbo em riste (sem medo).

 

E buscas buscas

túmulos do cosmos buscas

e mitologias monetárias.

 

            a Cláudio Veras e Admmauro Gommes

Murilo Gun

Inscreva-se através do nosso serviço de assinatura de e-mail gratuito para receber notificações quando novas informações estiverem disponíveis.
 

REVISTAS E JORNAIS