Miósotis, não me esqueças mesmo
que toda a pátina apodreça.
Miósotis, não me esqueças mesmo
que imperem aromas de ameixas.
Miósotis, não me esqueças mesmo
que devassa seja a condessa.
Miósotis, não me esqueças mesmo
quando qualquer volúpia arrefeça.
Miósotis, não me esqueças mesmo
que nenhuma manhã mais amanheça.
Miósotis, me esqueças pois
após poema precipício levanta-se.
Leões estraçalham crepúsculos
enquanto centopeias acariciam
dorso do orvalho e abetos bebem ruínas.
Leões espreitam manhãs enquanto
abro carapaças e busco
nos moluscos brilho de ladainhas
enquanto das conchas diviso aberto fulgor de tigres.
Leões rasgam máscaras enquanto
aparências urram
e cósmicos vórtices anunciam
naufrágio da palavra marinha.
Estrelas de orvalho ungem
de molhados diademas
céus úmidos.