Se isso não é um romance...
dê outro nome.
Porque o texto nasceu
inominado e numinoso.
Quando homem e palavra
desentendem-se
desse desentendido crucial vem
o verbo na forma que a página receba.
E o que pretendeu o texto
não dizer claramente
é o pensamento do leitor
verdadeiro, solene ou não.
Hermética é a palavra
e o mundo é hiperhermético.
Só leitor é verdadeiro, existe
nesse instante (da
página 22). (A ser).
A modernidade é apocalíptica.
Como o poema é a parapocalíptico
na forma e no fundo da palavra.
Como a forma é apocalíptica
na poesia desse romance
que não parece ser.
Romance apocaliptical.
A falência política do homem
sitia, isola, desfavorece e enfraquece a poesia.
A frágil totalidade sofre.
A dispersão enlouquece.
Olhe-se, leitora, a seu redor...
enrede-se na teia severa
de suas circunstâncias e incircunstâncias... e...
leia Rilke. Enrilkeça-se assim.
Grandeza e dor.
Esplendor morto.
Deus deserto. Não morto, ainda.
Se tudo é nada, comece dele.
Se Deus não há, não é...
tudo vale nada.
No céu vazio, pulsa lua cúbica.
A modernidade da morte
é séria. Exata...
O moderno são as cinzas.
O pó. A sede. O vão.
Os últimos dados são inexatos.
Como cubos ao quadrado.
Soma de nadas o homem.
Noves foras nada o homem vivo
sob céu de pedra vagarosa
lenta rosas a morrer do trânsito.
Até quando imprestáveis
cruzes de cinza ergueres
entre as bordas irrespiráveis
e os abismos imprescritíveis
da nova e cinzenta ressurreição.
A história disso que
não é romance se repete.
Cristo se crucifica a cada
hino, ano, onde, quando.






