06
Seg, Abr

destaques
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Gemas sepultadas no coração.

Morte na alma colhendo rosas.

Caduceu que cura serpentes.

Todo abismo é inconsciente.

 

Dos confins de Deborah e dos lírios

vem a aurora

traz no rosto açucenas vermelhas

(um poema de maçãs na solidão vela

sombras não sobrevivem do teu olhar).

 

A luz da aurora é de seda e pássaro, amiga.

 

A coisa estava calma, o pós-guerra morno.

Vaché e Cravan deliravam nos bulevares

de Paris crepitava sua loucura. Le Pohéte

alimentava utopias perigosas e famintas

com milhos transcendentais e imanentes dentes.

Atiçava a imaginação com a vara

com que cutucava o id. De Viena vinham

emanações de sonhos materiais. Tzara

latia: o pensamento se produz na boca. A-

perfeiçoamos a culinária do espírito.

No Cabaret Voltaire, ele fermentava (e formatava obliquamente)

o futuro da arte (com carbonatos dados).

Demolir para erguer das cinzas de Fênix

porvir d’arte, rezava (no altar em forma de pira).

Duchamp de mijo inundava Nova Iorque

líquido precioso vazava do seu urinol azul

fonte de alumínio e cerâmica de onde espumava o futuro

a reboque da revolução tecnológica.

E tudo começou a começar mesmo quando

Breton, Le Pohéte, leu pela primeira vez

na casa de Apollinaire a revista Dadá.

 

Murilo Gun

REVISTAS E JORNAIS