Gemas sepultadas no coração.
Morte na alma colhendo rosas.
Caduceu que cura serpentes.
Todo abismo é inconsciente.
Dos confins de Deborah e dos lírios
vem a aurora
traz no rosto açucenas vermelhas
(um poema de maçãs na solidão vela
sombras não sobrevivem do teu olhar).
A luz da aurora é de seda e pássaro, amiga.
A coisa estava calma, o pós-guerra morno.
Vaché e Cravan deliravam nos bulevares
de Paris crepitava sua loucura. Le Pohéte
alimentava utopias perigosas e famintas
com milhos transcendentais e imanentes dentes.
Atiçava a imaginação com a vara
com que cutucava o id. De Viena vinham
emanações de sonhos materiais. Tzara
latia: o pensamento se produz na boca. A-
perfeiçoamos a culinária do espírito.
No Cabaret Voltaire, ele fermentava (e formatava obliquamente)
o futuro da arte (com carbonatos dados).
Demolir para erguer das cinzas de Fênix
porvir d’arte, rezava (no altar em forma de pira).
Duchamp de mijo inundava Nova Iorque
líquido precioso vazava do seu urinol azul
fonte de alumínio e cerâmica de onde espumava o futuro
a reboque da revolução tecnológica.
E tudo começou a começar mesmo quando
Breton, Le Pohéte, leu pela primeira vez
na casa de Apollinaire a revista Dadá.






