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Seg, Abr

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No Brasil, o feminismo deu lugar ao que se pode denominar femeanismo ou femenologia do orgasmo como finalidade da vida.

Tudo para a jovem brasileira, após os 13 anos, se resume em pose, moda, dança erótica, música com letra idiota e som de sacolejo orgásmico. Celular lantejoulando, face-book em riste (intimidade com perfis), blusinha sensual, jeans debruando as carnes... e... pronta para a aventura da vida está a menina.

 

É a época de maior alienação da mulher. Não mais dilmas guerrilheiras, lutando pela democracia e o futuro. Mas moçoilazinhas, fulaninhas não mais virgenzinhas aos X anos (qual o valor de X nessa sentença?), videntes de novelinhas rebeldes ou passionais, perua se elaborando para o macho. E isso é tudo. Objetos de sexo? O homem e a mulher.

O feminismo não nasceu ontem, nem em 1949 ou 1968. Nem saiu de Beauvoir. Não é sinônimo de simonismo.

Dista tanto no tempo, veio do dia de antanho em que mulheres conscientes do atraso (e descompasso hormonal), cientes da opressão machista bem estabelecida que experimentavam, encontraram alguma fórmula teórica ou prática para dar-lhes forma. E dos homens sensibilizados pela fémina-problemática.

Já em 1793 – na pós-revolução francesa, o clérigo calvinista François Poullain defendia a igualdade dos sexos como posição ferreamente racional.

A mulher antes educada para servir ao homem (nas escolas domésticas ou “normais”) que era o espécime humano substantivo. Orientada ao privado, ao sentimental, ao concêntrico, a mulher só obteve a cidadania (desde 1789 ou desde a revolução americana) a partir do início do século XX (o sufrágio só se tornou universal em 1918). Durante mais de cem anos, o homem era parte da grande pátria (a nação dos machos) e a mulher, a modo de animal doméstico, chefe de copa e cozinha, lavadeira, costureira, parideira, pertencia à pequena pátria, a família.

A reivindicação dos direitos da mulher iniciou-se 50 anos antes da Declaração dos Direitos do Homem (e da Mulher?). Porque ambos os sexos pertencem a mesma espécie. O gênero não dissolve a unidade do Homo Sapiens (Sapiens). A possessão da razão é a mesma. A diferença em X e Y de algum qualquer cromossomo não cria limites ou discriminação entre fêmea e macho.

A Inglaterra esboçou uma forma de recepção dos direitos femininos, com direito a voto a viúvas e solteiras que provocou sonoras gargalhadas dos deputados e lordes da Câmara Alta.

O que vemos hoje é essa força feminina se escoando, graças ao crescimento sem tréguas do mercado da beleza, produtos de toucador em alta, salão de “beleza” pipocando, cremes, brilhos, brincos, roupas, penduricalhos e lingeries abafando tudo... para que a mulher – não mais animal doméstico – vire-se animaizinhos eróticos. Vestem-nas bem para se despir na cama.

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Murilo Gun

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