06
Seg, Abr

destaques
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Os pomares morreram

o grão cessou de ser.

Horizontes são de água poluta

âncoras se carcomeram.

 

O cemitério marinho

é áspero e duro.

 

O férreo mar morreu

águas selvagens vazaram.

 

Abismos octaédricos as bebem.

Tales morreu afogado (bêbado do céu).

 

Nas águas elementares

de um poço de estrelas.

 

Cemitérios marinhos prosperam

por toda a vastidão universal.

 

Sobraram alguns círculos excêntricos

da geometria prodigiosa do id.

 

Essa brisa de seda

o suave jasmim da alma

todo anátema

que poreje do verbo

a astuta malícia do poeta

sua certeza de nada

e a verdade impressa

(na alma devassa ou casta)

são as marcas símbolo

de que a poesia não se relativiza.

 

É absoluta e imprópria.

 

Murilo Gun

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