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Vinicius de Moraes

Quantos somos, não sei... Somos um, talvez dois, três, talvez, quatro; cinco, talvez nada
Talvez a multiplicação de cinco em cinco mil e cujos restos encheriam doze terras


Quantos, não sei... Só sei que somos muitos - o desespero da dízima infinita
E que somos belos como deuses mas somos trágicos.
(...)
E enquanto o eterno tirava da música vazia a harmonia criadora
E da harmonia criadora a ordem dos seres e da ordem dos seres o amor
E do amor a morte e da morte o tempo e do tempo o sofrimento
E do sofrimento a contemplação e da contemplação a serenidade imperecível

Nós percorríamos como estranhas larvas a forma patética dos astros
A tudo assistindo e tudo ouvindo e tudo guardando eternamente

 

Como, não sei... Éramos a primeira manifestação da divindade
Éramos o primeiro ovo se fecundando à cálida centelha.

 

Fragmento do poema O POETA. MORAES, Vinicius de.

Antologia poética. São Paulo: Cia. das Letras, 1994. pp. 32-35.

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Murilo Gun

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