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Dom, Nov

Diversos
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A morte é um caminho impercorrido pelos vivos.

Só aos que o sopro abandona dá-se o privilégio de conhecer essa senhora sinuosa mas severa, incontível porém caudalosa, sobretudo astuciosa.   Ou somos nós que não valorizamos essa tão velha dama impiedosa? Damos à morte muitas razões, vário motivo, facilidades sem conta, desculpas imperdoáveis, para que ela nos leve a seu reino triste, inconhecido mas possivelmente doloroso ao extremo. Se Deus, tão abnegado e propiciador audaz, nos deu a vida, foi para ser vivida, nunca desperdiçada, trocada por tostões ou biscoitos, num escambo bursátil arriscado. Em paixões amorosas idiotas liquidada a troca de lágrimas ou ciumadas sem dentes.

 

 

 

O que vale é a vida enquanto é. A morte é antípoda. O inverso do sopro. A supressão de ser. Reinado podre. Aventura sem ventre. O império antideus. O que Ele não quer para nós.

 

E nós, idiotamente, vivemos a bordejar, a cutucar (a implorar às vezes), a namorar ou só flertar com a morte, como se fosse coisa de Deus. A morte é sítio do demônio. É a coisa mais antidivina que há. A ilusão sobre o depois-da-vida é ilusão. Meraconsolação. Lamúria. Invenção do homem que por não resistir a seus (dela) encantos turvos, tenta dourar a pílula, criar um ambiente, imaginar um páramo, que é simplesmente e só infernal. O céu é viver. E olhá-lo, com olhos vivos. O inferno é aquilo que só divisaremos de olhos fechados. As pálpebras derrubadas pelos vermes.

 

Sejamos vivos. E não mortos. (Na vida).

 

E a vida Deus nos concedeu para vivê-la, suportá-la. Nunca desperdiçar. Tal diva doação.

 

Viva, leitora, sem medo a vida. Que Deus nos deu.

 

Porque a morte é eterna. Não a vida.

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Murilo Gun

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