A experiência da poesia é o modo dela infletir-se
sobre nós e abonar a alma exprimindo
suas máculas ardentes e profusas submersas
no tempo cósmico – e cíclico que tramou Borges
horas prenhes da duração do evento ou parto
que nos deu Sócrates e Absalão
Pound, Eliot, Cabral, Murilo e Drummond
ou seja, servos da produção ou parturição
do poema no sentido da maiêutica crítica.
A melhor forma de definir ou conceituar
– expressar – isso (ou aquilo), ou maneira
Intensiva e absoluta de fazê-lo
é por meio ou pela veia aorta da poesia (porta)
– linfa ou fluxo, vaso ou vinho – que é
a linguagem (ou instância desta) impregnada
(dir-se-ia fosse carro de corrida: envenenada)
com carga máxima de voltagem expressiva força polindica
ou curva de maior conotação possível.
Dê a palavra a exata – imprescindível
ração de ambigüidade, indetermine
com (des)propósitos poéticos o sentido
exija suor do leitor a enfrentar intrincado
lodaçal dela (palavra) atolada no poema: e louve-se.
(a si mesmo pela espessura doce de seu canto).






