06
Seg, Abr

destaques
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Peregrinei à carne pelas mulheres vivi (e uivei)

pelos bordeis (trânsito eterno) trágicos

do cais do porto do Recife perambulei

viço em riste, falo faminto, sede do corpo

seda da lascívia derramando-se pela alma ereta

paradisíaca carne das mulheres expostas

à visitação púbica

 cotada a dólar

ou cantada (a lábias ágeis)

 ou em qualquer moeda carente

e ressonante à úmida devoração do desejo

como antigo gemido à hora do gozo.

 

(Poema à água encantada para lavar o amor

em frias bacias depostas

pelas asas da máscula mão sustentada enquanto

a recém-amada pênis murcho lava

com delicadeza extrema

e água gelada).

 

Murilo Gun

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