Peregrinei à carne pelas mulheres vivi (e uivei)
pelos bordeis (trânsito eterno) trágicos
do cais do porto do Recife perambulei
viço em riste, falo faminto, sede do corpo
seda da lascívia derramando-se pela alma ereta
paradisíaca carne das mulheres expostas
à visitação púbica
cotada a dólar
ou cantada (a lábias ágeis)
ou em qualquer moeda carente
e ressonante à úmida devoração do desejo
como antigo gemido à hora do gozo.
(Poema à água encantada para lavar o amor
em frias bacias depostas
pelas asas da máscula mão sustentada enquanto
a recém-amada pênis murcho lava
com delicadeza extrema
e água gelada).






