06
Seg, Abr

destaques
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Madrugada sobre ágora

capítulos de flores copulam ainda

com borboletas no leito

de néctar das rosas cálidas

cochilam ainda bem-te-vis dos galhos.

Messes povoam jasmins, hortos riem.

Sobre polícromos palácios de água

ébrio das nervura das horas tomba

sonâmbulo orvalho, vestígio translúcido

do sopro de Deus

            umedece impossíveis pássaros.

 

Cósmico vento não abala

entranhas da alvorada

(nem rompe curtume das asas

com que Deus aquinhoou anjos

à tarde terrena em descalabro

                        enquanto harpa do silêncio celeste

cânticos de sereias semeia

                        nos célicos e lentos salões

coalhados de aparatos e tralhas da oficina

originária, palco triste e vasto

onde criação se arruinara).

 

Pureza contagia dor.

Mártir ornato adula última magnólia

cordão de borboletas o pescoço

cavo do céu crucifica

lento milênio se espalha da veia do nome

dobra sino da desdita, brota

sobre candelabros de cinza

madressilva lenta.

Do templo da papoula rouxinóis em prece

beijam olho hipnótico da rosa

digladiando com néctar e pólen.

Murilo Gun

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