Madrugada sobre ágora
capítulos de flores copulam ainda
com borboletas no leito
de néctar das rosas cálidas
cochilam ainda bem-te-vis dos galhos.
Messes povoam jasmins, hortos riem.
Sobre polícromos palácios de água
ébrio das nervura das horas tomba
sonâmbulo orvalho, vestígio translúcido
do sopro de Deus
umedece impossíveis pássaros.
Cósmico vento não abala
entranhas da alvorada
(nem rompe curtume das asas
com que Deus aquinhoou anjos
à tarde terrena em descalabro
enquanto harpa do silêncio celeste
cânticos de sereias semeia
nos célicos e lentos salões
coalhados de aparatos e tralhas da oficina
originária, palco triste e vasto
onde criação se arruinara).
Pureza contagia dor.
Mártir ornato adula última magnólia
cordão de borboletas o pescoço
cavo do céu crucifica
lento milênio se espalha da veia do nome
dobra sino da desdita, brota
sobre candelabros de cinza
madressilva lenta.
Do templo da papoula rouxinóis em prece
beijam olho hipnótico da rosa
digladiando com néctar e pólen.






