Coleridge, em sua concepção da poética, separou rigorosamente a linguagem das composições versificadas e a das composições em prosa.
Daí, aplicava o conceito de linguagem poética que desenvolveu exclusivamente ao domínio da poesia metrificada. O metro como natureza e definição do poema. A organização métrica determina a estrutura poética (e representa tal configuração medida a fonte do prazer poético). Veja-se que, em si, o sentido, o que dizer, o dito, não é vital. Ou seja, a morfologia e não a semântica influi na definição do poema.
Daí, a famosa comparação entre metro e levedura. Esta é inútil e desagradável em si mesma, mas capaz de conferir, doar vivacidade e espírito à bebida: cerveja, vinho etc.
Tanto Coleridge quanto Wordswort, consideravam o expediente de metrificação (algo bem mecânico e externo ao poema, como procedimento técnico) como propriedade específica e necessária da linguagem poética.
A despeito de serem tentativas de conceituar e descrever a especificidade da linguagem poética, esta não é realmente escoimada de algo prosaico. Pelo contrário, a versificação metrificada, rimada etc, em vária situação, não passa de prosa metrificada, distribuída em linhas, versos.
No mínimo, tal especificidade para distinguir linguagem poética serviria da não-poética.
O próprio Coleridge percebeu isso. Que não existem muitas composições metrificadas que não são, obviamente, poesia. É que o domínio real da poética inclui composições não metrificadas.
A melhor poesia pode (e deve, digo eu, VCA) prescindir do metro. Vários capítulos de Isaías, em especial, o primeiro, são altamente, enfaticamente poéticos (e não são nem metrificados, nem em versos). Foi da leitura bíblica que produzi o ensaio sobre Cântico dos cânticos e Cântico novo (poema longo).
No meu parco entendimento, a existência de características especificas que definam em definitivo a linguagem poética é pálida ainda.
Não se determinou ainda bem um critério imbatível para distinção (estrutural) entre linguagem poética e prosa. Muito texto em prosa é sumamente poético e muitos poemas não passam de prosa versificada, isto é, texto prosaico apresentado, cortado, como bom uísque, em forma de verso. (É o meu conceito Blended sobre tal campo).
Comunicar prazer estético, por si mesmo, independentemente do que diga ou queira dizer, é um lídimo objetivo da poesia.
A conclusão é que o campo da linguagem poética estrutura-se por sua função estética especifica (deleite artístico, poético) e não por sua estrutura ou organização em versos.
A métrica e a rímica são marcas da poesia de uma época, transitórias, e não regra modelar definitiva, tal como se vê hoje.
Nota: Coleridge e Wordsworth foram poetas e críticos ingleses do séc. XVIII.
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