Fujo dos temas como das rimas
como o verso libertando-o de mim.
Arame farpando o silêncio do coração
azul metilene e robusta magenta
para a áspera espera da lauda (tornassol).
Toda ossamenta do silêncio agrário preparo
para túmulo da palavra escolho ou limbo
de que se revista o verbo.
E lápide fornalha piramidal alada acendo
com atrito e lenha.
Toda canção invertebrada seleciono para o poema.
A baixa qualidade de minha poesia é grave.
Por isso detesto leitor (arredio ou castro, inclusive puro)
(Medir o tamanho da boca (e) das palavras
sentir-lhe resto de sopro soçobrando
sobrevivente, e tudo fazer antes
de sulcar, manchar o papel
rasgar a página
com o pensamento escrito).
(Regar a alma
com um poema absoluto).
Me interessa a monotomia fônica inversa
inverto a melodia crispada
crio música de pedra (gritos de sílex)
em bacias de bemóis de bronze.
Amaro o poema vital sempre.
Os ossos austeros ou somente sós
do silêncio pondero antes do poema.
Casulouco azado
pão vândalo da palavra: poema.
Preterido o poema não existe
a intenção desmorona
assim o poema sai poemal
e não pessoal
se distancia de mim (eu vital caduco)
e não me revele o poema é.






