O abade olha o rio sem nome
e o rosário de águas debruçado
em orações de pedra, enlaçando
gestos de areia que apanham
o último arco-íris e oram à noite
hinos que amordaçam lábios
preces que estertorem mãos.
O abade acena ao rio sem nome
e no rolo das águas vê o símbolo
da paisagem do tempo líquido devastada
a enraizar-se em sombras desiguais
como se do chão brotassem pássaros ásperos
como búfalos solares
soltos na planície noturna
embriagados de abril.






