06
Seg, Abr

destaques
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casta, de Poesia Absoluta

deparar-se com o futuro

na próxima esquina.

Isso não é ilusão ou ficção.

É sabedoria.

 

Quando as multidões sumirem

desaparecerem as hordas opiniosas

as massas morrerem, o mundo

será habitável.

 

A futilização existencial

ou a teologicalização do corpo

produzir (cada um a seu modo)

delírios opacos é válido.

 

Minha visão do futuro e tão clara

profunda, arrepiante, horripilante que se eu tivesse crianças

estrangularia-as imediatamente. Como a genial

criança do Thomas Hardy no seu famoso romance

Judas, o obscuro.

 

Cioran ao discriminar o suicídio

(que sua filosofia oferece em bandeja apropriada

em forma de elegante manual do suicida perfeito)

pontua: “dado que os supostos ou presumíveis

suicidas não têm nenhuma razão de viver, porque

teriam razão de morrer?

 

“Eu tenho pensado em todos que conheço

e em todos que não mais estão vivos

e há muito chafurdando entre vermes e ossos

em seus caixões deteriorados”. Cioran

 

O futuro é vão

o presente inacreditável

só passado existe (porque passou).

E é acreditado graças ao historiador.

 

O limite da linguagem não permite dizer

da insignificação do ser.

 

Abaixo o neorreparnasianismo refinado

elegante, primoroso, de imagens novas e rimas torvas.

 

Reduza-se leitor de poesia não (nada) absoluta

à simples e automática surdez. Só.

 

Por que organizar velórios estúpidos ou estupendos.

E não só se livre do cadáver (que nada sabe)?

 

“Oh, como eu gostaria de ser vegetal

mesmo que tivesse de usufruir com gosto

da merda humana para escrever”. Cioran

 

A poesia absoluta realmente

não é nada romântica.

Nem relativa.

Murilo Gun

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