casta, de Poesia Absoluta
deparar-se com o futuro
na próxima esquina.
Isso não é ilusão ou ficção.
É sabedoria.
Quando as multidões sumirem
desaparecerem as hordas opiniosas
as massas morrerem, o mundo
será habitável.
A futilização existencial
ou a teologicalização do corpo
produzir (cada um a seu modo)
delírios opacos é válido.
Minha visão do futuro e tão clara
profunda, arrepiante, horripilante que se eu tivesse crianças
estrangularia-as imediatamente. Como a genial
criança do Thomas Hardy no seu famoso romance
Judas, o obscuro.
Cioran ao discriminar o suicídio
(que sua filosofia oferece em bandeja apropriada
em forma de elegante manual do suicida perfeito)
pontua: “dado que os supostos ou presumíveis
suicidas não têm nenhuma razão de viver, porque
teriam razão de morrer?
“Eu tenho pensado em todos que conheço
e em todos que não mais estão vivos
e há muito chafurdando entre vermes e ossos
em seus caixões deteriorados”. Cioran
O futuro é vão
o presente inacreditável
só passado existe (porque passou).
E é acreditado graças ao historiador.
O limite da linguagem não permite dizer
da insignificação do ser.
Abaixo o neorreparnasianismo refinado
elegante, primoroso, de imagens novas e rimas torvas.
Reduza-se leitor de poesia não (nada) absoluta
à simples e automática surdez. Só.
Por que organizar velórios estúpidos ou estupendos.
E não só se livre do cadáver (que nada sabe)?
“Oh, como eu gostaria de ser vegetal
mesmo que tivesse de usufruir com gosto
da merda humana para escrever”. Cioran
A poesia absoluta realmente
não é nada romântica.
Nem relativa.






