06
Seg, Abr

destaques
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De tão difícil

a beleza tornou-se inútil. 

De tão sem fim

nem começo

qualquer (e toda) eternidade é inútil

também.

 

A poesia serve

para salvar fantasias

e perfis que espelhos sepultaram

no imaginário e na deformação

do ser.

 

Se a poesia dá

asas à palavra

porque não decepa

a máscara do verbo?

 

No intervalo entre

o eu e o sal

pausa branca vige, opera

a estátua do instante.

 

(Só a sede impede a saciação).

 

Murilo Gun

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