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Vital Corrêa de Araújo

Se, ao lermos um poema, dirigirmos a atenção centralmente ao que ele diga, à mensagem que contenha, sem atentarmos à forma dessa mensagem,

que é dada pela palavra poética (não como mero signo mas forma), como a forma do mistério o é pela palavra religiosa, equivale a considerar indiferentes, neutras, contingentes as palavras que formam o poema. Pois dela queremos extrair significados, forçar significações, relevar conteúdos e não focar a atenção nelas (nas palavras que estruturam e dão forma ao poema, são sua pele e alma) mas considerá-las como meios de expressar algo (e não fim da expressão).

 

 

Não se pode ler poesia apenas com interesse no referente da linguagem (função referencial de jakobson), nas coisas nomeadas, enfatizando sua lógica gramaticalmente correta.

 

Isso faz com que a linguagem se automatize, porque a relação signo-realidade se torna habitual, quase um bloco, uma chapa, marca prosaica e não poética.

 

As palavras, nesse caso, como que disparadas automaticamente no texto (mais como reflexo, condicionamento, de que como essência, necessidade primal, veio do uivo original) são só instrumentos para dizer algo, meios e não finalidade (como devem ser) do poema.

 

Daí Mallarmé dispara: poema se faz com palavras, não com ideias.

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Murilo Gun

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