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Qua, Jun

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A grande repercussão mundial da filosofia e atração sócio-literária de Zizek provêm do fato de seu pensamento, prático e altamente epistemológico fundamentado, ilustrar de modo veraz e categórico as reais contradições (e sinucas de bico em que se mete o) do capitalismo contemporâneo.

É um capitalismo único, sem dissociação (ou antítese) como o era na era soviética. Face a tal solidão e segurança de único e dominante abandonou os resguardos e...imergiu no abismo corrupto-financeiro sem fim.

 

O sistema de livre mercado é frágil. E o triunfo da guerra fria foi suposto e supérpluo. Autor de mais de sessenta obras, desde o seu primeiro livro em inglês, Eles não sabem o que fazem: o sublime objeto da ideologia, recrutou a atenção do mundo sublimado por tal audácia de pensamento e peripécia de linguagem. Com projeção mundial que vai muito além da academia, sessentão (nasceu em 1949), Zizek participa com seus textos saberosos de desfiles de moda europeia, de peças e cinemas, como Zizek (2005) e Pervertido guia de cinema (2006)... e tem uma publicação dedicada a sua obra: Jornal Internacional de Estudos Zizequeanos (com leitores registrados via Facebook). Foi astro do comício Occupy Wall Street, no Zuccotte Park – Nova Iorque.

Devoto da dialética hegeliana (sem o nojo do materialismo histórico  pequeno e absurdo) e crítico criativo de Marx, Zizek descarta qualquer compromisso com a frágil objetividade intelectual que orientou o pensamento radical do passado século XX.

Zizek sabe – e bem, que teorias que pretendessem dar conta do curso real dos acontecimentos históricos é balela completa.

Radical e surpreendente, Zizek dispara: O modo como Marx compreendeu o comunismo foi o responsável pelo debacle do dito. A noção de Marx da sociedade comunista foi infantil e é, em si, uma fantasia, um fato ou produto do imaginário capitalista. Que assim se serviu dele, como inocente útil.

Uma das dedicações de Zizek é reinterpretar Marx através de Hegel. Um de seus livros trata de: Marx como leitor de Hegel, Hegel como leitor de Marx. Ele pretende reformar a filosofia hegeliana via Lacan. Ou seja, para Zizek nenhum caminho é reto, pois é feito das linhas tortas de Deus.

Para Zizek, no nosso entendimento, a luta de classes não é um conflito entre agentes particulares (operários e patrões) no cerne da realidade social: não é uma discussão ou confronto entre agentes reais, mas algo vindo do íntimo da humanidade – que busca sobreviver na história, e é a luta que constitui esses agentes. A história cria a luta de classes e não a luta de classes cria a história.

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Murilo Gun

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