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A poesia absoluta contraria (e rima) a miopia da consciência vigendo, a busca do facilitarismo do entendimento e da compreensão imediata. Poesia é rima (e não rimam). “Cadê a rima? Não é poema.

É coisa difícil, estranha, não leio. Só gosto de poesia”: eis o que a grandíssima maioria idiota do leitor (?) brasileiro diria ao pé de um poema absoluto. Se não compreender o texto de cabo a rabo (sujo ou não), à primeira vista, ao soslaio do olhar... “esse” leitor para abrupto, fecha o livro e... joga fora. Se não vê, no primeiro verso uma rima e entenda de imediato o que diga – e o diga claramente e com palavras fáceis, aquele primeiro verso, não é poesia e o poema não presta.

 

O maior elogia que “esse tal” leitor (idiota, coitado, por deficiência de formação literária moderna, embora a maioria tenha curso superior completíssimo) possa dar a um poeta (rimante, porém ousado) é: “tem de ter dicionário ao lado para “compreender” “essa poesia”. E isso é que é besteirol ao cubo. Compreensão é tarifa (e tarefa) de prosa. O dicionário para poesia (e leitor absoluto – e não essa relatividade escorial, de escória real) é composto só com significantes ( e o estou a preparar um mini), isto é, palavras, e nenhum significado. Para quê? Se poema se faz com significantes (palavras) e não com significados (ideias).

O pernambucano pensador, Emmanuel Carneiro Leão, reza: a poesia diz respeito à competência de ser e pensar. A poesia  é. A prosa é historia. E dispara: “Para nós, filhos do petróleo e da técnica (de alma de óleo diesel: VCA), tardos em pensar, se tornou ainda difícil captar,  resolver o mistério da pertinência “in”, entre pensar e ser, numa época de poluição (do pensar) e consumo (do ser)”.

 

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Murilo Gun

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