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Qui, Jan

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Vital Corrêa de Araújo

Ao hiperprofessor Marcondes Torres Calazans

da FAMASUL - Palmares

 

 

Não se trata de nenhum absolutismo poético, político-literário (como bem diz Admmauro Gommes) o caso da Poesia Absoluta. É algo muito mais profundo e diverso. Iniciático, fundamental. É a substância última da poesia o poema absoluto. E o novo estágio avançado da poesia elementar vigente (após a modernidade do expressionismo poético alemão enraizado, tanto na época pré-guerra, alimentando o estilo bélico, quanto na harmonia total do mundo sub poético (ou sub lunar poética), estádio tal que humanizou a poesia até o ilimite. Situação ímpar desfeita com as grandes guerras do século XX. As duas mundiais, a da China/Japão que desembocou na 2ª Guerra Mundial 1939/1945, a do Vietnam, Coreias, Iraques, Afeganistãos, etc. Todas guerras de domínio político-econômico, de poder, exercitado em projetos de expansão politica de caráter antidemocrático e desumano por excelência.

Em suma, épocas em que a comercialização e emasculação ou alienação do fenômeno literário alcançou limites de deformação extraordinários.

As explosões criativas, na poesia, prosa, pintura, música, arte em geral, estacaram, a partir do fim da 2ª Grande Guerra e ao longo das guerras frias e localizadas que estouraram de 1950 em diante. Agora, grassa uma desvalorização objetiva da criação e uma excelencialidade aos produtos dela, pela estimação exagerada ou valorização monetária de alguns e pauperização, a mesmo velocidade, de outros, condição em que o artista é títere, boneco, cujo o cordão é o do domínio político-econômico e os interesses supremos da economia. É o domínio da mediocridade formal, do atraso artístico, em prol do capital.

A literatura, como Arte-música da palavra e harmonia do ser, de acordo com a unidade primordial do Todo, refluiu, abastardou-se, virou “pop” – como a “música popular” da peste sertaneja – ebola (em forma auditiva) música, que destroça, infecciona e mata a cultura musical brasileira. Por isso, o crítico Homem de Mello fuzilou: o Brasil produz a melhor música e ouvi a pior.

Toda uma escala de progresso dialético literário histórico, cadeia que partiu (do não valorizado pela cultura dita ocidental) do primitivo pensamento oriental, que desembocou, prologando-se, no sublime pensamento pré-socrático, via do fio condutor do orfismo, se estendendo aos pitagóricas e a Platão, com os neoplatônicos (não houve neo-socratismo, pois o platonismo o encampou) pagãos e renascentistas, tudo adubado pelas místicas árabe, judia e cristã, até ao romantismo essencial e à síntese da linguagem artística pura de hoje (maculada tanto, pelos interesses político-literários).

Como pré-socrático, não desvaneço da ideia pré-socrática da unidade e da infinitude do Universo (Parmênides, Heráclito, Demócrito, Tales, Antístenes, Zenão, (ver Anábase, de Perse), Anaximandro, Empédocles e os sublimes sofistas).

 

Essa oposição criadora, dialética, entre o universo físico (real), único e infinito, e o universo do eu que tende à Infinitude e vital unidade (transcendental) é frutífera.

Fundamente creio que o poeta absoluto não se distrai ou se aliena, incursionando em plagas externas e desvalorizadoras do humano (em prol da capital,  da moeda da alma, do aparato bursático, colocados em níveis e índices de absoluto progresso). Não descreve, não diverte, não testemunha o ócio como lazer ou turismo “cultural”. Pois a palavra poética deve revelar, desvelar, nunca relevar, esconder a essência, endeusando a aparência ou o simulacro.

A PA é via de conhecimento e reconhecimento do humano (alienado de si), é aprofundamento do mistério da existência, é fio condutor para a realidade da harmonia do Ser com a harmonia do Todo. E, ao longo do processo de unidade e condutividade da PA, o poeta vai formulando perguntas que não podem obter respostas prosaicas.

São questões e interrogações novas (o que somos, afinal, em tal estádio de penúria da humanidade e para que sombra incriativa (descriativa) estamos indo?) e não as de sempre, repetitivas, inconclusivas, desvalorizadas no tempo (o tal de o que somos, donde viemos, para onde vamos literais). O elo homem/universo é o fim (ou começo) da poesia absoluta.

Qualquer forma poética é válida e absolutiza o conhecimento poético, desde que seja meio (veículo) de expressão e nunca de comunicação, pois o âmbito do dizer é da prosa, o indizível, da poesia.

Em suma, a palavra poética (desalienada, não formalizada por nenhuma gramática autoritária de poder, não funcionando apenas como um veículo de mensagem - publicitária ou não - , mas como expressão e morada do ser) é tão vital e mesmo equivalente à palavra religiosa. Daí, por não ser menor, relativa, secundária, inferior, caudatária da política etc, a poesia é absoluta.

Poesia como respiração do Ser, além de morada, como Holderlin comprovou, nos sublimes poemas da loucura (poética).{jcomments on}

Murilo Gun

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