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Qui, Jul

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Um livro chamado de poesia não é um livro (a não ser que não seja de poesia, embora colete poemas). Se algum leitor o considera livro... e de poemas é que este sucumbiu a uma ordem falsa... e não tem mais salvação literária.

Os pontos de descontinuidade, a safra de maduras metáforas, a selva de epítetos e oxímoros, o desgarçar da sintaxe, a selvagem imaginação em riste... tudo e mais despojam o leitor do prazer inestético... e o fez embarcar num trem descarrilhado, numa falsíssima literatura... ou numa poética riso da sociedade, coisa de desocupado, arte ociosa para adornar domingos na rede...

 

O leitor elementar detesta coisas difíceis... em especial aquelas que exijam dicionários. E muitos idiotas literários (não em coisas sérias empreendedorísticas) nunca imaginam que o momento mais ridículo da vida leitoral ocorre quando dizem convictamente, como se estivessem elogiando o poeta complexo: “para lê-lo, é preciso dicionário de ladinho, como posição afável de coito.

Este nem sonha que português se aprende pelo contexto, não pelo verbete. É o cérebro que aprende (idem, coração e intestino, que dispõem de cérebros particulares), não o físico, os olhos sobre as letras dicionárias, coitadas, coitado.

É estagnação que nunca avança a leitura impotente e falseada da maioria imensa dos leitores elementares, hoje.

Essa inadmirável provação, que atrai e realiza o leitor elementar, míope, falho, ancho de chafurdar sobre a página (“lendo” o livro), dar voltas num espaço sem saída, sem vida, se torna maior, porque dela não há como se furtar. Leitor elementar é uma espécie sem extinção. Dele, a sensação estética voou.

E o pior: o que ele tem em mãos é um livro físico... não é um livro extático.

Não há o livro de poemas, há a proximidade pura do movimento artístico, literário, humano em si, onda estética que advém de todos os livros. O Livro de Mallarmé.

Já desenvolvi, no Centro Cultural Vital Corrêa de Araújo, juntamente com Rogério Generoso e Adriano Marcena, que dirigem o órgão, um curso de recepção da poesia moderna, pois a maioria dos leitores, por uma questão de paralisia pedagógica, conclui todos os cursos oficiais, em 15 anos de “estudos” e sai sem saber o mínimo como recepcionar a poesia do século XX.

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Murilo Gun

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