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Dom, Jun

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Contribuição à questão (sua dirimição, em última instância) essencial que avassala o debate poético – mas não submete críticos insubmissos), no que concerne a:

- exigência obrigatória de tema ou fio estrutural

- incompreensibilidade (ou indigibilidade) do poema

- indeterminação (ou ambiguidade) poética essencial

- não univocidade (ou necessária pluradade) ou equivocidade

- pelo hermetismo (ou contra os dogmas perniciosas da clareza, da explicação lógica, exata, indubitável, quase matemática, da mecânica compreensão imediata e cabal – cabo a cabo – do poema, porque esses são requisitos inerentes à prosa).

Ou seja, contra leitor persicaz.

- Crua logicidade, inclusive imagética, que se impõe ao poema como condeção sine que no de ser poesia, ou com finalidades e objetivos poéticos

- visibilidade (do conceito de J-M. Adam, com o nome vernáculo criado pelo grande tradutor e teórico, Mário Laranjeiras) que consiste no fato de que o poema é reconhecido e operado pelo leitor duplamente de modo simultâneo: disto e lido. Ao olhar para a página, em que se insira o texto, leitor vê trata-se de um poema – e não outra coisa, e isso gera predisposição para uma leitura poética, não-referencial, numa busca de desvio lógico, de sentido oblíquo e não normal. A atitude visilegível foi básica para o poema visual, em extinção.

- sentido apodítico e frontal do mundo, sendo objetivo do poema sentí-lo (ao mundo) e esclarecê-lo (o mundo), contra o cego querer dizer, a sanha de informar, a indutibilidade certeira do poema (e conveniente).

- tudo pela dubitabilidade absoluta.

- ânsia (ou mesmo volúpia) de narrativida poética de dizer, informar esclarecer “mensagem” (o ego do mundo), explicar cabalmente, sem nenhuma dúvida ou área cinzenta ao menos, eliminar todo (e qualquer) mistério ou possibilidade do leitor não entender, em suma ser claro com um meio-dia tropical. Perspicácia zero.

Em síntese, que leitor interessado utilize essas epigrafes, comentários e fragmentos de texto para dirimir (ou ajudar a) a questão da incomunicabilidade sagrada do poema (da poesia como condição gine qua no de sê-la ou de contê-la o poema, de seu mistério, exigência de seu âmbito, e desalicerçar a utilização da linguagem poética para fins de informação, mensagem, contação de história, descrição de emoção; para dizer algo, explicitar coisas, dar lição (de moral ou não), comover, educar (fora do âmbito do conhecimento), o que é em essência, contrário à função poética da linguagem (por ser matéria de outras funções da linguagem). Resultado da premissa levantada: é território sagrado da prosa: dizer, narrar, explicar, informar. E da poesia de ser.

ADENDO: é risível e altamente ridículo, sobretudo culturalmente baixíssimo poesia como deleite a salão, domingos lítero-culturais e feriados civis em que se declamam sonetos à pátria ou à amada (em seu aniversário ou fim do ciclo menstrual). Poesia como sorriso da sociedade.

Recife (UBE) 2002

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Murilo Gun

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