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O tempo, que é impiedoso, mesmo cruel, além de irrepetível e irrecusável, laterário, como qualquer outro passa... e no Brasil não se percebe.

A renovação da linguagem é permanente. E evolução tecnológica, não técnica. Não é reforçar o método silábico ou inventar rimas de urânio. Não.

A poesia que 99,99% dos “poetas” brasileiros (milhões e milhões) fazem – artesanalmente antiquadamente – nada mais é que um tecido de significados insurpreendentes. A expressão já era ........., já esteja predeterminada face ao crasso longo e esperado processo de sua determinação ou melhor, sobredeterminação. Tudo nos conformes tudo bilaqueado, tudo pronto, preformulado.

A esse código velho – e sem surpresa – de tratar o significado, preelaborá-lo para que diga algo válido, importante, vital que melhore o país, talvez, oponha-se o código imprevisto, imprevisível, mesmo ilegível ainda ou sempre.

O crítico e poeta luso – Fernando Mendonça, na revista Colóquio (que comprei em Lisboa, na Caluste, em 2012) – diz que hoje existe poemas legíveis e ilegíveis. Os primeiros são aqueles que remetem aos velhos costumes de velho homem, e o fazem num código rígido, sem desvios. Os poemas ilegíveis “são os que, ao invés de falarem pela boca do homem, falam pela boca do verbo”, e essa palavra contém a voz do vir a ser, não foi impurificada pelos significados da linguagem poética velha, comum.

Há uma poema que fala, emociona, puxa lágrima, previsível, certinho, irrefutável. E há outro que nos assusta, causa estupor, estranheza, sidração... tal que, no caso, ler VCA. Ou cura.  É uma poesia que não reflete o acontecido, mas propõe-se fazer o mundo.

Se ela – esta tal nova poesia – diz algo é o que as palavras ainda não desseram. É o por vir (e porvir) do verbo.

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Murilo Gun

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