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Por que poesia absoluta? É que no Brasil vigora a mania (ou melhor, a maníaca atitude mã) de que poesia tem que ser fácil.

E com rima (o que piora o problema). Se não há rima isto é, é complexo cadê o dicionário? A obsessão de tudo entender, logo e direitinho, tudo deglutido, poema já mastigado, é obsedante ou maníaca. Hoje, a poesia brasileira é saco para coisas complexas? Então, uma poesia que não seja relativa a nada disso, é absoluta.

 

Há muito, a grande poesia do século XX ultrapassou os limites do sentido tão louvado. E que Rimbaud desdenhou com alquímica do verbo. A poesia hoje é id-limitada. Exige desestabelecem limites. Para ser.

A questão da verdade poética? Essa questão está inserida no âmbito do velho prélio entre empirismo e racionalismo. Debate que funciona como se abrangesse o todo. E nada ficasse de fora dele.

Para o racionalismo, a fonte do conhecimento (verdadeiro) é a razão, autônoma (ou autoritária) de modo tal que ela se subordine a experiência sensível a fonte de todo conhecimento. É o reino da lógica indutiva a posterioridade em oposição à lógica dedutiva  (a priori) da razão. Ou seja, tudo é lógica. O mundo é lógico. A poesia, não!

A verdade da poesia absoluta não é científica, nem se abriga entre limites lógicos, não habita o logicismo (dos balanços e contras de perdas e danos, de ganhos e ágios).

A verdade da poesia absoluta também – e por isso mesmo, não é prosaica.

É PA deselucidora por excelência.

Em suma, poesia absoluta é complexar por definição e natureza do poema, não é fácil, embora físsil. Poeta absoluto é meio sofístico.

A poesia não-absoluta (ou elementar) alcançou (e esgotou) o limite de dizer.  Agora, a situação se inverte (não estagna), mas recomeça com o indizer. A poesia é do reino do indizível. Do indito. Do dito é a quanto a poesia é do campo da impossibilidade lógica. É fruto de uma ação da linguagem do âmbito da lógica dialética, a poesia absoluta contraditória em si e por si. Portanto, sua ilogicidade é natural. E perfeita. Decorrência desse estatuto inusitado. Em que a poesia “mostra” a linguagem funcionando em direção ao humano (que não é – o humano, algo tão simples quanto Deus disse (isto é, a bíblia).

Há algo como filosoficiência operatória nesse intento de descobrir, desvelar, revelar, estabelecer a Poesia Absoluta.

A dificuldade reside em que tenta-se pensar contra o preconceito. Exige-se pensata em favor da evolução do humano.

Há reação (mesmo meio violenta) quando digo numa universidade que a melhor (e única e rápida) maneira de identificar poesia numa prateleira de livraria é abrir qualquer livro de poema e se encontrar uma (que seja rima, desclassifica-lo. Ou praticar (o jovem) um rito de iniciação à poesia moderna (do tempo atual) que consiste em amontoar (no quintal ou área de serviço) todos os dicionários de rima e tratados de versificação – de, mãe, pai, avós, e tocar fogo, num ritual de caterse ígnea libertação poética e real.

O que o poema significa não interessa. Não é o sentido requesito. É até desrequesito.

Explicações de sentido são do domínio da filosofia (dixit Wittgenstein), não da crítica literária realmente moderna.

As coisas em prosa não são como são, são como devam ser. A filosofia da rifica as coisas, porém não justifica o poema. O que seria injusto, se o fizesse.

Poesia é do campo da vidência (desde Rimbaud) e não da evidência. Poesia tem natureza de períneo, não da contingência. Não é a poesia absoluta nem orçamentária, nem democrática. Nem pasto de magnata (infelizes ou não).

Ao estender os limites da linguagem, a poesia absoluta fez extravasar o mundo.

Pois a função das expressos ............. de poema não pode se alicerçar em sem ......... de aumentar o mundo. Mas sem ressurreição.

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Murilo Gun

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