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Há uma tendência em vislumbrar uma diferença entre homossexualidade masculina ativa e passiva, como se, na relação homo, o parceiro ativo fosse menos gay.

Algo contra esse adjetivo novo. É o exercício mero de uma discriminação vocabular.

 

No caso de Rimbaud – poeta que iniciou a maior revolução na poesia e criou a modernidade poética, era o artista da palavra gay assumido, portador de caráter mesmo violento, dominador, que escolhera Verlaine, como vítima e presa, e o desviou do casamento (que à época – últimas décadas do século XIX, era algo sagrado), levou-o à prisão – quase ao homicídio, e o tornou um dominado rimbaldiano.

Rimbaud exerceu o ofício de poeta, em Paris, por escassos quatro anos – até os dezenove de idade, é tornou-se o modelo e pai da poesia ocidental moderna. Assim o mundo literário parisiense o admitiu, 12 anos após o sumiço de Rimbaud, em 1855, aos 19 anos, quando abandonou em definitivo a literatura. Rimbaud considerava o período dos 14 aos 19 anos – em que escreveu  Uma estação no inferno e Iluminações, como um tempo perdido. Dias e noites de bebedeira e delírio, fumo e absinto, algo vergonhoso e inútil, período de homossexualidade desenfreada e desperdício (de tempo e dinheiro), de arrogância e rebeldia, que não o levou a nada. Até que aos 20 anos, fora da poesia, encontrou sua vocação: importação e exportação de armas e escravos, na Abissímia. Rimbaud foi aventureiro e contrabandista por 17 anos, até a morte, amealhou ouro amarrado ao corpo e sua algibeira soava a metal de moeda.

Enriqueceu, manteve o ouro-capital, preso à perna cancerosa que o matou. Perdeu-a e vagou, de volta à França, pelo deserto com uma só perna ativa. Arrastando-se literalmente, escavando nas areias ardentes, com as mãos, sua própria fossa, cobrindo o cocô, com um monte de areia. Até a morte marselhesa.

Em sua breve carreira de poeta, Rimbaud cobriu toda a história da poesia, desde o verso latino (lia e escrevia latim desde os 12 anos de idade), atravessando o romantismo, o parnasianismo, o simbolismo, o versolibrismo, o poema em prosa (elou prosa poética), chegando ao surrealismo, muito antes desta escola existir.

Desde jovem, dominava dezenas de línguas (latim, grego etc), sabia da história como autodidata, conhecia o amor grego e os costumes romanos quando generais assumiam jovens rapazes da sociedade, para inicia-los no amor homo e na arte da guerra e do domínio político, jurídico, etc.

Sexo e retórica, pudor e dominação de mãos dadas. Foi comunard em 1848.

Rimbaud sonhava com um homem mais velho, rico, sábio, escritor, para juntos viajarem e sob tal proteção viver e desenvolver sua vocação poética. Colocou anúncios em jornais de Paris, de Berlim e Londres, em busca de um benfeitor e amante (preceptor sexual rico).

Conseguiu alguns, mas não como queria. Verlaine era problemático, depressivo, feio.

Germain Nouveau era muito jovem, bonito, não era rico, era artista... e fazia dele trouxa e objeto de escândalo.

Depois das decepções no amor e na literatura, abandonou tudo (até a homossexualidade)... foi-se para a África ser agiota e comerciante, onde teve belas mulheres de ébano, jamais mencionou a poesia, correspondeu-se com a sociedade de geografia (ativas na época), até morrer em Marselha.

A roqueira Pat Smith (que adoro) e seu companheiro de canção musicaram e incorporaram ao repertório hard metal poemas loucos de Rimbaud.

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Murilo Gun

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