Era apenas sombra de uma rosa
trilha solitária perdida em julho
som amordaçado da erva
bilha quebrada em cubos
lépidas botas coalhadas de léguas
pegadas de rotos mandarins
maçãs eivadas de novembros
sinos distantes.
Mas era parte do sofrimento
razão de exultar-se também.
Eram formas que o amor toma
vestes comovidas
tecidos com corações e magnólias
saudadas por rosas ambíguas
de cilindros e aromas forjadas.
Era passagem para a eternidade
olhos impávidos e verdejantes
lições para os lírios da janela
cruzes no jardim da loucura
fugas de bentevis.
A dor era imponente perfeita
sacrário de ilusões ruídas
tumulo de pétalas
sangue doado de crepúsculos
interrogações de sarças.
Ou era apenas o vento da calçada.
Eis que sorvo néctar de arco-íris
bebo ouro de flores distantes
ébrio de andorinhas e beija-flores.
Eis que os pássaros exultam
cheios cálices florais
de licores adolescentes fartos.
Eis que descubro a náusea
e o orgulho.
A soberba e o desencanto.
E no caminho definitivo
não mais a sombra
mas a cinza de uma rosa.






