Gritos bebem dos vasos de silêncio acúleo
cheios como barrocos muros da carne da tinta ou pele
ou do sal do fervor dos ventes.
A poesia absoluta cria
o ímpeto de que poetas são precisados
para expor palavras engradadas
nas engrenagens das imagens
pela imaginação engendradas.
Poema, cálice deserto, barro espalhado
do páramo da página para
as mãos do verbo gerador
esculpir entre desvãos e sombras
palavras que lábios ainda não disseram.
Bocas sonham com sedes imensas
enormes como os mares
atravessam-nas sedas sinuosas
(enfeitiçam-nas outras disfarçadas
de aridez noturna que coa luz).
junho /2014






