A poesia expõe a medula da palavra
extrai da sílaba sua luz óssea
o fêmur de cada vocábulo fratura
para sua físsil nuance multiplicar
a clavícula de cada vogal, o músculo verbal a poesia
na bandeja da página coloca
mesa de cirurgia filológica
às sombras, às claras, o que seja
ela o faz por piedade a Hermes
o condutor do sentido órfico e da musa
que enlouquece poetas e os desvia do sentimento sentido.
A poesia fornica com a essência vocabular, dicionárica
Chupa o sêmen do verbo, engole imo, é
Crépula e ímpeto de palavra desregrando-se
Adentra o hímen do significado, o lambe e ensaliva sempre.
Asfódelos florescem
do horto (úmido meandro secreto) da alma
como navalhas
escanhoando o céu do verbo
a deflorar espessa aura o falo
da palavra adentra
o hímen da página.






